Não critique. Repito, não critique

02

Oct 2018

Por:Dra. Dayse D'Ávila
Pais e filhos

Nessa medida eu já vou começar te desafiando, preparado? Hora da leitura!




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Essa semana, eu tenho um grande desafio para você. Faça um compromisso de ficar sete dias sem fazer nenhuma crítica. A nada, a ninguém. Nem ao governo, ao trabalho, à comida, ao tempo, ao marido, ao seu
filho ou a o quer que seja ou lhe ocorra de circunstância. Coloque um elástico
de banco (gominha) no braço esquerdo e puxe toda vez que você pensar em
falar alguma crítica seja do que for. Puxe o elástico e solte para doer. Você verá
como é difícil disciplinar sua carne, especialmente a língua. Não é em vão que
está escrito:



“Quando colocamos freios na boca dos cavalos para que eles nos
obedeçam, podemos controlar o animal todo. Tomem também como exemplo
os navios; embora sejam tão grandes e impelidos por fortes ventos, são
dirigidos por um leme muito pequeno, conforme a vontade do piloto.
Semelhantemente, a língua é um pequeno órgão do corpo, mas se vangloria de
grandes coisas. Vejam como um grande bosque é incendiado por uma simples
fagulha. Assim também, a língua é um fogo; é um mundo de iniquidade.
Colocada entre os membros do nosso corpo, contamina a pessoa por inteiro,
incendeia todo o curso de sua vida, sendo ela mesma incendiada pelo inferno”.



(Tiago 3:3-6).



Com a mesma boca, elevamos a autoestima dos nossos filhos e incutimos
neles sentimentos de capacidade ou arrasamos a existência deles. Não existe
crítica construtiva. Existe crítica. Como lemos num dos livros de Dale Carnegie,
se quiser colher mel, não espante a colmeia. Não é possível tirarmos coisas
boas de nossos filhos criticando o que são. Nós simplesmente os afastamos de
nós. E reforçamos o lado negativo deles. Não é possível colher mel atacando as
abelhas. Quando precisamos corrigir um filho, o que nos interessa é o resultado
final, certo? Você precisa mudar um comportamento ou melhorar uma nota,
por exemplo. Estamos focados em um resultado da intervenção que teremos e
não na intervenção em si. Não se apegue ao seu método, mas ao resultado. Se
não está dando resultado, mude o método. Sempre o que importa é o
resultado. Então, grave isso: a crítica é improdutiva porque não gera resultado
e, ainda, causa ressentimentos que podem perdurar por uma vida inteira –
ainda mais vinda de figuras tão importantes quanto os pais. Nossa opinião conta muito, mesmo que você ache que não.



Você provavelmente já deve ter assistido a um show de golfinhos no
SeaWorld ou em outro lugar qualquer, ainda que pela TV. Já observou que, após
cada acerto de um pulo bem feito, eles ganham uma sardinha. Isso foi pesquisa
científica: comprovação que os animais aprendem muito mais rapidamente
pela recompensa do que pela punição. Com os humanos, é a mesma verdade,
mas insistimos em atuar de forma contrária: nossa tendência é de ignorar os
acertos, afinal, fazer o que é certo é apenas obrigação, e sermos rápidos em
criticar quando erram. Nossos filhos fazem a maioria das coisas certas e não são
elogiados, mas no primeiro deslize, existe uma língua afiada para desanimar.
Tome para si a frase de Benjamin Franklin: “Não falarei mal de nenhum homem
e falarei tudo de bom que souber de cada pessoa”
. Troque pela palavra filho. E
use o elástico essa semana. Sem criticar e fazendo elogios verdadeiros, damos
aos nossos filhos uma boa reputação que eles prezam em cuidar.



E cuidamos mesmo das reputações que nos dão. Acontece com todos nós.
Certa vez, no início da minha carreira, eu andava muito sem dinheiro e fui fazer
um curso. Era frio e eu não tinha uma roupa adequada para ir. Acabei
desenterrando um tecido que eu tinha e amarrei de um jeito diferente para
cobrir os braços. Quando entrei no auditório, a palestrante estava lá e ficou
encantada com o pano amarrado e elogiou meu estilo. Pronto. Eram quatro
dias de curso e eu passei o dia pensando como iria me arrumar para o segundo
deles. Cheguei em casa correndo à noite e fui tirando tudo do armário, até que
encontrei uma ótima combinação para o dia seguinte do curso. E quando
cheguei lá, por coincidência, encontrei-me novamente com a palestrante no
elevador e ela tornou a repetir o elogio falando do meu estilo distinto para me
vestir. Foi o suficiente para eu sair do curso e ir ao shopping comprar duas peças
para os dias seguintes, mesmo não sendo essa minha prioridade financeira no
momento. Quer um filho mudado? Dê uma boa reputação para ele zelar. Nós
fazemos isso naturalmente. Ninguém quer perder um posto de honra.



Então, se a meta é causar um impacto positivo, pegue pelo lado bom e
nunca pela crítica. Estamos nesse momento com o Bernardo, meu filho caçula
de 7 anos, batendo na irmã de 8 anos. Apesar de mais novo, ele é bem mais
forte do que ela. Vira e mexe, ela toma uns apertos dele. Comecei pela
repreensão, criticando a conduta. Instituímos a nossa própria “Lei Maria da
Penha” aqui em casa com uma sentença clara: uma chinelada e 15 minutos de
castigo para cada vez que ele desse um soco nela. Mas logo percebi que esse
definitivamente não é o caminho. Por ser muito obediente, quando infringia a
lei, o meu reuzinho já vinha com as mãos cruzadas e se entregava sem resistência. Então, mudei a minha atuação. Tenho elogiado como ele está forte.
O medi, pesei e tenho assistido algum jogo de futebol para elogiar o chute
forte. Ao mesmo tempo, tenho perguntado o que ele tem feito de bom com a
força que recebeu. Ele me conta do futebol, do que ajudou na sala, no que
conseguiu fazer… e sua cabecinha vai longe. Estou pedindo a ele que carregue a
mochila da irmã e isso acabou virando um hábito. Ao ver uma mulher
carregando algo pesado, ele tem instintivamente se oferecido para ajudar. Fui
buscar uma tia em seu apartamento e quando ele a viu abrindo o portão cheio
de bolsas, soltou-se do cinto, abriu a porta e foi logo pegando duas sacolas. Eu
não falei nada. Na verdade, estava digitando no celular aguardando ela entrar.
Então, tenho elogiado cada vez mais a sua força. E repetido como é bom que
Deus tenha dado força para um menino tão calmo, tão bom e tão cooperativo.
Tenho falado como ele tem sido inteligente em usar sua força a seu favor e não
para prejudicar ninguém. Ao mesmo tempo, temos conseguido que os
embates com a irmã terminem cada vez menos em confronto físico. É muito
mais produtivo quando damos uma boa reputação, sem exageros, para
zelarem, do que ficarmos massacrando as crianças com críticas. Elas são muito
receptivas às boas orientações, como os golfinhos. E uma tendência natural,
como eles, à alegria. Você vai se surpreender como as palavras boas realmente
têm poder. Isso não é balela!



Para concluir, lemos no mesmo texto de Tiago:


“Todos tropeçamos de muitas maneiras. Se alguém não tropeça no falar,
tal homem é perfeito, sendo também capaz de dominar todo o seu corpo”.



(Tiago 3:2).


Esse é sem dúvida a maior dificuldade que teremos: controlar o que sai da
nossa boca.



ATIVIDADE: colocar o elástico no braço e se comprometer a não fazer nenhuma
crítica ou reclamação durante sete dias. Sobre nenhum assunto. É um
compromisso real. Ao contrário, faça elogios sinceros aos seus filhos, dando a
eles boas reputações para zelarem, mesmo quando precisar resolver um
problema na conduta deles.

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