Fique feliz com o filho que você tem

12

Jul 2018

Por:Dra. Dayse D'Ávila
Pais e filhos

Em breve lançarei o livro 10 Medidas para Ajudar seu Filho (e Revolucionar o Relacionamento entre Vocês). Mas decidi antecipar para vocês e disponibilizar a 1ª medida do livro na íntegra. Boa leitura!



Prefere ler em PDF? Baixe aqui!

Quando minha primeira filha nasceu, na hora que o pediatra a mostrou para mim, eu tive uma grande decepção. Duas, não posso negar. A primeira, é que ela não era ruiva. Sou ruiva e tenho dois irmãos laranjas. Meu
marido era loiríssimo, de cabelo quase branco até o fim da infância, então, por
algum motivo, imaginei que ela também teria o cabelo claro. A segunda é que
ela simplesmente era a cara do meu marido. Cem por cento ele. Eu sou,
digamos, um pouco mais firme que ele, então, durante a nossa primeira
gravidez, ele sempre me dizia que meus genes iriam sobrepujar aos deles. Na
verdade, ele falava que eu mataria os genes dele dentro da barriga… e, de certa
forma, acho que criei uma expectativa que ela se pareceria comigo.


Tinha também decorado uma oração que seria uma bênção que falaria
para ela assim que eu a visse – seriam as primeiras palavras que eu diria a ela.
No fim das contas, para mim, o nascimento dela seria assim: o pediatra traria
uma linda menina ruiva e eu colocaria a mão na cabecinha dela, falaria uma tão
suave bênção cuidadosamente escrita e memorizada por mim e a pegaria no
colo. Mas perdi o rumo quando vi aquela menina de cabelos escuros e a cara,
literalmente, a cara do meu marido. E antes que o pediatra pudesse colocá-la
em meus braços, a primeira coisa que falei chocada foi:

– Carlos! Ela é a sua cara!

Meu marido também ficou atordoado. Manteve-se calado e assustado
olhando para Alice, a acompanhou até o pediatra dentro da sala de parto e logo
voltou, enquanto a limpavam e pesavam. Abaixou-se até meu ouvido e me
perguntou:

– Dayse, como vamos fazer com uma menina que tem cara de homem?
E essas foram as duas primeiras frases que falamos quando nossa filha veio
ao mundo.


Deus nos surpreendeu. Não foi nada do que eu imaginava. A oração? Não
lembro até hoje qual seria. Nem me lembrei de fazer. Mas o choque durou até
ela vir para os meus braços. Ela era uma princesinha. Tinha a boca mais linda,
mais rosa e pequena da maternidade. Os cabelos, embora castanho-escuro,
eram lindos. Pele rosinha… o nariz pequenino e bem feito. Delicada, linda. Ela
era mesmo uma princesa. Cem por cento diferente do que eu imaginei, mas
linda, perfeita, saudável, encantadora… e a paixão nasceu ainda dentro da sala
de parto. A poeira dos meus sonhos da gravidez se esvaec
agradeci ao Criador pela graça recebida. E me comprometi a fazer o melhor por
ela. E a acho maravilhosa.


Essa é a beleza da vida: termos o coração aberto para recebermos
infinitamente mais do que aquilo que pedimos ou pensamos, embora, a dádiva
possa ser completamente diferente do que imaginamos. Se seu filho não saiu
exatamente como seus sonhos, ótimo, porque queremos muitas coisas
erradas. Muitas, apenas para dar asas à nossa vaidade. Mas as coisas são como
são porque trazem consigo sementes de aprendizado, adaptação, alegria e
crescimento. Não falo somente de traços físicos, mas de tudo que pensamos
que nossos rebentos terão como qualidade. Alice me ensinou como as coisas
podem ser incrivelmente belas mesmo tão diferentes do que eu imaginava.
Como sonhos não correspondidos podem se tornar realidades incríveis. Minha
decepção durou menos de 2 minutos. Já a alegria com ela já duram quase 12
anos. Sua beleza só aumenta e nosso orgulho também.

Projetamos muita coisa para os filhos e de alguma forma, quando essas
características lhes faltam, os vemos como incompletos. Ele não é esportista
como você? Não é tão extrovertido como você queria? Não tem aquele
interesse em escola como você teve? Então, você conclui que falta em seu filho
gosto por esporte, desinibição e interesse pela escola. Mas não falta nada. Ele
veio com toda bagagem que precisa para ter sucesso à maneira dele e não à
sua, esse é o detalhe. Aliás, essa é uma ótima comparação. Pense numa
viagem. Pense na sua mala e na do seu marido ou na do seu filho. Vocês vão
para o mesmo lugar passar o mesmo número de dias. Vocês levam a mesma
coisa? Não. Todas as malas estarão cheias, mas de coisas diferentes porque as
necessidades são diferentes. E vocês, embora no mesmo lugar, farão atividades
diferentes às vezes. Um vai ler um livro, o outro fará uma caminhada e outro
aproveitará para dormir. Assim é a vida. A mala está cheia e nem todos farão
caminhada, nem todos vão descansar e nem todos vão ler o livro. Mas poderão
se divertir juntos, em muitos momentos.


Os sentimentos que temos são escolhas pessoais e têm a ver como
enxergamos a vida. Nós sentimos o que imaginamos, o que compreendemos
como realidade, porque tudo é questão do ângulo que você decide olhar a vida.
Uma pessoa me disse uma vez, desanimada, que muitas pessoas no mundo
têm lanchas e aviões particulares e ela não tinha ainda a TV que desejava. Eu já
enxergo que um terço da população passa fome, por isso, sou grata pelo que
tenho, mesmo não tendo um iate para chamar de meu. Nós é que escolhemos
nos apegar ao que temos ou a tudo que não temos e isso reflete em sermos
felizes ou insatisfeitos. A realidade é a mesma, ela não muda, mas sou eu que
escolho olhar para o iate ou para a pobreza. Isso pode ser nato ou aprendido.
Talvez eu tenha herdado um otimismo maior do que a média do meu pai, mas
preciso também me obrigar a reenquadrar os acontecimentos da vida com
freqüência. Eu posso decidir se acho o dia chuvoso péssimo ou se o aproveito
para curtir ‘‘ pipoca e guaraná’’ assistindo um bom filme com meus filhos. Eu
escolherei o segundo. Deixamos nossa mente muito solta pensando o que quer
e ela se habitua facilmente a pensar negativamente, a reclamar, murmurar e
ver o lado ruim de todas as coisas. Esse é o caminho mais fácil para o cérebro.
Mas você pode dominá-la. Aliás, você deve dominá-la afugentando
pensamentos ruins, se obrigando a pensar no outro lado das coisas e a colocar
uma moldura melhor em cada situação.


E na maternidade é assim também. Ver a beleza própria de cada um dos
nossos filhos é o grande ensinamento diário. Ver o que temos, o que é nosso, o
que recebemos de Deus. Apreciar de todo o coração o que seu filho recebeu de
dons, personalidade e de desafios também a serem vencidos. Enxergar que ele
é uma mala cheia e não há peças faltando dentro dela. É dar vazão ao que ele
levou para o passeio. Se tem chuteira, que bom, ele vai jogar bola. Se tem
sunga, vai nadar. Se levou o caderno, vai fazer o dever de casa. Esse é o seu
papel: dar utilidade à bagagem. E se empenhar em buscar menos pelo que não
chegou até nós.


ATIVIDADE: nessa semana, faça uma análise profunda das características de
seu filho listando todas as qualidades que ele tem. O que ele trouxe na
bagagem? Não olhe como limitação, olhe como virtude. Faça uma lista, escreva
num papel e guarde com você. Toda vez que observar algo novo que você não
tinha percebido, anote. Passe essa semana afugentando qualquer crítica que
vier à sua mente. Sopre como quem sopra uma fumaça e mande embora.
Obrigue sua mente a ver o lado bom, a virtude e o bem que existe no ser que
você tem responsabilidade pela criação. É seu compromisso estimular e dar
liberdade a ele de usar tudo isso que ele trouxe consigo. Faça esse
compromisso de querer enxergar pelo melhor ângulo e filtrar o negativismo
desnecessário. E de esquecer o que você acha que está faltando.

  1. Adorei! Sou amiga de Rogério e de Isabela. Eles propagaram o livro e de imediato comecei a ler o trecho. Ficou um gostinho de quero mais!
    Quer adquirir o livro!

  2. Amei, amei e amei! Já conversamos sobre isso, é muito me ajudou em como lidar com tudo isso! Parabéns, Dayse!!!

  3. Grecilezy Lima Oliveira Silva disse:

    Parabens Dayse o pouco q li nos deu agua na boca pelo livro todo. Anciosa pelo lancamento.

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